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29-05-2007
 

 

Depois da Gata enterrada…

Os Xutos & Pontapés fecharam as cortinas da edição de 2007 do Enterro da Gata. Mais uma vez, os estudantes – minhotos e não só – juntaram-se numa semana de euforia e divertimento, ao som da música ligeira, electrónica, do rock e de muitos litros de álcool.

Perto do final da última noite, os indicadores oficiais apontavam para entre 8 a 9 mil pessoas no recinto. Durante toda a semana, estima-se que cerca de 50.000 pessoas terão passado pelo Gatódromo.

Poderá ser agora interessante fazer uma outra espécie de levantamento a esta semana de festas. Como, por exemplo, a quem serve o Enterro da Gata neste formato? O Enterro é uma actividade promovida pela AAUM que é, em grande parte, financiada pelos alunos da UM. À partida, deveriam ser estes os principais beneficiados pelo evento. Mas aquilo a que se assistiu durante a semana foi a uma correria tresloucada de pessoas de outras academias ao recinto, e de outras que nem o Ensino Superior frequentam.

Não é isto que considero motivo de reflexão. Não antecipo qualquer problema da comunhão entre estudantes de diferentes academias. Antes, o que me parece mais interessante analisar é que ao nível da relação benefício/custo o aluno da UM não sai em nada favorecido com o Enterro da Gata – exemplo usado pois é a actividade mais marcante da AAUM.

Repare-se que qualquer estudante paga o mesmo pelos ingressos – seja da UM, ou não; seja sócio da AAUM, ou não – e, por essa ordem de ideias, cada estudante é alvo do mesmo prazer potencial na entrada no espaço. Nada nos garante que um estudante da UM vá beneficiar mais do Enterro do que um outro qualquer.

O único benefício, aparente, é a possibilidade de compra do ingresso geral. Porém, num universo potencial que varia entre os 17 e os 18 mil estudantes, apenas uma minoria ínfima o faz. Assim, a grande parte dos estudantes da UM sujeita-se ao preço de tabela que não o diferencia, nem positiva, nem negativamente, perante os outros.

Assim, pergunto: Qual a vantagem em ser sócio da AAUM quando nenhuma das actividades organizadas pela Associação contempla vantagens evidentes para os associados? As Associações Académicas servem para servir os estudantes, e cada uma deve servir os seus. Se tratam todos os estudantes, de todas as Academias, por igual, então o que se ganha em ter associações espalhadas por todo o país, quando uma única será suficiente?

Se a lógica é essa, então que se deixem cair as máscaras e se assuma de uma vez por todas que as festas académicas servem para saldar as contas das associações, e não para animar os alunos – este será um efeito marginal, acessório.



 
 




 
 

    

 

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