Os Xutos & Pontapés fecharam
as cortinas da edição de 2007 do Enterro da Gata. Mais uma vez, os estudantes –
minhotos e não só – juntaram-se numa semana de euforia e divertimento, ao som
da música ligeira, electrónica, do rock e de muitos litros de álcool.
Perto do final da última noite,
os indicadores oficiais apontavam para entre 8 a 9 mil pessoas no recinto.
Durante toda a semana, estima-se que cerca de 50.000 pessoas terão passado pelo
Gatódromo.
Poderá ser agora interessante
fazer uma outra espécie de levantamento a esta semana de festas. Como, por
exemplo, a quem serve o Enterro da Gata neste formato? O Enterro é uma
actividade promovida pela AAUM que é, em grande parte, financiada pelos alunos
da UM. À partida, deveriam ser estes os principais beneficiados pelo evento.
Mas aquilo a que se assistiu durante a semana foi a uma correria tresloucada de
pessoas de outras academias ao recinto, e de outras que nem o Ensino Superior
frequentam.
Não é isto que considero motivo
de reflexão. Não antecipo qualquer problema da comunhão entre estudantes de
diferentes academias. Antes, o que me parece mais interessante analisar é que
ao nível da relação benefício/custo o aluno da UM não sai em nada favorecido
com o Enterro da Gata – exemplo usado pois é a actividade mais marcante da AAUM.
Repare-se que qualquer estudante
paga o mesmo pelos ingressos – seja da UM, ou não; seja sócio da AAUM, ou não –
e, por essa ordem de ideias, cada estudante é alvo do mesmo prazer potencial na
entrada no espaço. Nada nos garante que um estudante da UM vá beneficiar mais
do Enterro do que um outro qualquer.
O único benefício, aparente, é a
possibilidade de compra do ingresso geral. Porém, num universo potencial que
varia entre os 17 e os 18 mil estudantes, apenas uma minoria ínfima o faz.
Assim, a grande parte dos estudantes da UM sujeita-se ao preço de tabela que
não o diferencia, nem positiva, nem negativamente, perante os outros.
Assim, pergunto: Qual a vantagem
em ser sócio da AAUM quando nenhuma das actividades organizadas pela Associação
contempla vantagens evidentes para os associados? As Associações Académicas
servem para servir os estudantes, e cada uma deve servir os seus. Se tratam
todos os estudantes, de todas as Academias, por igual, então o que se ganha em
ter associações espalhadas por todo o país, quando uma única será suficiente?
Se a lógica é essa, então que se
deixem cair as máscaras e se assuma de uma vez por todas que as festas
académicas servem para saldar as contas das associações, e não para animar os
alunos – este será um efeito marginal, acessório.
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